quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

cansado de tanto sofrer
resolvo um dia deixar de amar
compro um caixão e deito
(o que dá
na mesma)
o amor
bicho amorfo que só atrapalha
disfuncional
inconsequente
chato, repetitivo, obsceno
nublado
em sua própria
complacência narcisista
egocêntrico, tragicômico e vulgar
medíocre
em sua obsessão particular
mas sempre
SEMPRE
essencialmente sempre
Belo.
trinco meus dentes
e salivo VOCÊ
por entre eles

feridas enormes
são borboletas escarlates
à toa
voando a minha volta
ninguém diria
que um dia foram lagartas
feias
de óculos, aparelhos e
pernas finas
Eu não pedi muito
Eu não pedi quase nada
Eu só pedi você
duas borboletas tagarelando
em volta de Minha Vida
Ela acorda
reclina-se,
dorme
e não vê
o Amor passar
vencendo uma brecha
na cortina
a luz da manhã
tenta me alcançar
mas meu Amor
eclipsa
qualquer vestígio do dia


  • Essa foto-novela é do tempo de D. João Charuto (mas como ninguém leu mesmo, taí de novo). É interessante notar, porém, que se você substituir o assunto "destruição da camada de ozônio" por "aquecimento global", pouca coisa realmente mudou.

  • Ela remonta à época em que uma determinada cantora de uma determinada dupla sertaneja se aventurou a protagonizar uma determinada novela. Se você não sabe de quem eu estou falando, não sabe a sorte que tem.

  • A história também nos apresenta 2 personagens que se tornariam folclóricos: Adamastor (primo-irmão espiritualmente angustiado de Gilberio) e o já lendário Homem-Batata, Mestre dos Mestres, Guru dos Gurus, mequetrefe pós-moderno profissional. Enjoy.

  • PS: o tamanho das letras nos balões ficou meio pequeno, então talvez eu refaça-os. Ou não.
  • PS2: design by Adriana Cataldo (atual Zelig)
  • PS3: fotos de?... PotatoMan?!!!






blá-blá-blá.
yadda-yadda-yadda.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

  • Texto: papelão pintado - Sai daqui, seu verme! – a veia do pescoço saltava. O que você está fazendo aqui?!
  • Sempre se perdia quando ía pro cemitério. De carro já se perdia, lá dentro mais ainda. Fizera toda a viagem nauseado. Entrando, tivera que tomar informações com um dos funcionários para chegar até a capela – recém-pintada; o cheiro das flores.
  • Seu irmão, não parecia ele. Haviam posto um boneco ali para representá-lo mas, óbvio, não era ele. Uma grande farsa. Os funcionários do cemitério sempre faziam isso, já haviam embarcado o verdadeiro corpo para alguma ilha do Pacífico Sul, bem longe dali, onde viveria o resto de seus dias preguiçosamente entre os aborígenes, depois de ser ressuscitado num ritual às margens de um vulcão sempre prestes a entrar em erupção.
  • Enquanto isso, deixaram aquela coisa velha de borracha lá, jogada, no seu lugar. Mas era tão inverossímil. Como a família não se queixara, não fizera alvoroço. Resolveu simplesmente entrar no jogo, fazer o seu papel.
  • - O que é que você veio fazer aqui, seu filho-da-puta? Seu pescoço e peito estavam vermelhos, arfando.
  • Agora sim, começara a perdoar o irmão por tudo que lhe fizera. Ali, vendo aquele boneco de borracha totalmente prostrado, como que vencido, finalmente era preenchido por uma estranha ternura, um estranho sentimento de generosidade.
  • Aprendera, subitamente, a perdoar. Sim, era isso. Claro, pensou, poderia estar simplesmente sendo cínico, agora que está morto... Mas nada era assim, tão simples. Como se tudo agora fizesse sentido, a partir daquele momento, já decidira, passaria a ser uma pessoa melhor.
  • Olhando para aquela máscara de borracha que se desmanchava em borrões de maquiagem, começou a se ater a detalhes em seu rosto que até então não notara, por nunca ter tido permissão para olhar, ou mesmo por vergonha.
  • Descobriu várias coisas naquela mórbida geografia: uma decidida, sulcada (embora geneticamente aleatória - e isso o consolava) semelhança herdada de seu pai - enquanto ele ganhara os traços femininos da mãe. Descobrira então, afinal, que nunca conhecera realmente o irmão e uma luz azul brilhou em sua mente - fazendo com que todo o seu corpo estremecesse num frêmito.
  • - Seu verme! Se você não sair agora... – a mãe segurava a moça pelo braço e pedia calma. Seu próprio irmão! Nunca fez nada por ele, e agora... Vai embora desgraçado, senão te furo os olhos...
  • Aquilo não o chateava; compreendia. Mas queria ficar. Na verdade, tudo começava a tomar contornos surreais – a capelinha que parecia de papelão pintado, o rosto de cera do irmão se desmanchando no calor, a fúria melodramática da sobrinha... Tudo indicava que faziam parte de uma peça.
  • Depois, o enjôo. Este se fora. Não sentia mais nada, só vontade de dormir. Não, dormir, não. Se deitar. Ali. Dentro do caixão.
  • Foi quando ela mandou uma cusparada no seu rosto. Tentou, enfim, enfiar as unhas nos seus olhos. O irmão a segurou, junto da mãe e algum primo. Ele não se importava; estava resignado a permanecer lá, acontecesse o que acontecesse.
  • - Onze anos! Onze anos e esse desgraçado nunca moveu uma palha! Podia ter ajudado... Tanto dinheiro, pra quê?! Enfia no rabo o teu dinheiro, agora, filha-da-puta! Nem uma visita, nem pra saber se estava pra morrer ou não...
  • Então ela desistiu. Começou simplesmente a chorar. Mas pra ele já era tarde. Já se encontrava longe, flutuando, pairando desintegrado em mil pedacinhos, nalgum lugar perto dali.
do-do-do, da-da-da.

sábado, 13 de dezembro de 2008

comercial Cerveja Skol "Código Redondo"

1ª parte da campanha publicitária da Cerveja Skol "Código Redondo" de 2007, feita pela "O2", com o ator Gilberto Behar

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

comercial Artplan "40 anos"

comercial feito pela "CaradeCão" em 2007, comemorando "40 anos de Artplan", com o ator Gilberto Behar entre outros

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

comercial Cerveja Crystal Itaipava

comercial para Cerveja Crystal Itaipava feito pela "Zeppelin" em 2006, com Gilberto Behar e Rafael Raposo